Os níveis QECR explicados e como classificamos uma canção
Cada canção do Verbomatico tem um nível, de A1- a C2+. Aqui fica o que essas etiquetas querem dizer, o que torna mesmo difícil uma canção e como usar o número em vez de te intimidares com ele.
Última atualização: 2026-08-17
O que significam os seis níveis do QECR
O Quadro Europeu Comum de Referência é a escala com que as instituições europeias descrevem o que alguém sabe fazer com uma língua, e não quantas palavras memorizou. Seis níveis, em linguagem simples:
- A1 — safas-te com frases feitas: cumprimentar, dizer o nome, onde vives, pedir algo simples. Percebes o que te dizem devagar e diretamente.
- A2 — resolves tarefas do dia a dia e descreves o teu meio e o teu passado imediato com frases simples.
- B1 — desenrascas-te em quase todas as situações de viagem, segues uma conversa clara sobre temas conhecidos e sabes contar algo ou explicar um plano.
- B2 — segues uma discussão a velocidade normal entre falantes nativos, defendes uma posição e lês um artigo sem dicionário.
- C1 — usas a língua com flexibilidade no social, no estudo e no trabalho, e apanhas o implícito: ironia, subentendido, mudanças de registo.
- C2 — percebes praticamente tudo o que ouves ou lês e exprimes-te com precisão, incluindo as nuances.
Dezoito degraus, não seis
Seis bandas são grosseiras demais para uma canção. A distância entre uma balada lenta e um rap rápido pode ser enorme estando ambos em B1. Por isso cada carta é classificada em dezoito degraus: cada banda divide-se em baixo (−), médio e alto (+) — A1-, A1, A1+, A2-, até C2+.
Essa resolução extra é o que torna o progresso visível. Passar de B1- a B1+ muda mesmo aquilo que consegues acompanhar; numa escala de seis pontos pareceria que estás parado.
O que torna uma canção difícil
O grau não é um palpite sobre o artista: sai do que a letra exige de quem ouve.
- Frequência lexical — quanto da letra está nas duas mil palavras mais frequentes da língua e quanto não está.
- Tempos verbais — uma canção no presente não é uma canção que salta entre condicional, conjuntivo e mais-que-perfeito.
- Densidade de expressões — as frases feitas que não se decifram palavra a palavra são a maior fonte de dificuldade.
- Dicção — sílabas por segundo, elisões e quanto sobrevive do fim das palavras ao serem cantadas.
- Sintaxe — a inversão, a elipse e a ordem poética custam mais do que as frases longas.
- Carga cultural — referências, calão e usos regionais que um dicionário não resolve.
O catálogo por nível neste momento
- A1
- 35 canções
- A2
- 44 canções
- B1
- 40 canções
- B2
- 20 canções
- C1
- 9 canções
- C2
- 7 canções
O nível de uma canção não é o nível de um curso
Lê o grau como o esforço que a canção pede, não como um certificado. As canções são desiguais por natureza: o refrão pode ser A1 enquanto a estrofe te atira um conjuntivo, e o nosso grau cobre a letra toda.
É também por isso que uma canção B2 pode parecer mais fácil do que uma A2 de que não gostas. O interesse pesa mais do que qualquer escala — é essa a premissa de aprender com música.
Que canção escolher
Uma regra simples que funciona para quase toda a gente:
- Um degrau abaixo do teu nível, para ganhar velocidade e confiança e para acabares mesmo alguma coisa.
- No teu nível, para estudar a sério: é aí que as cinco secções mais te ensinam.
- Acima do teu nível só quando adoras a canção. A motivação ganha à dificuldade, mas só quando a canção é mesmo tua.
O teu nível e como se move
O Verbomatico não te pede um nível ao registares-te, porque os níveis autodeclarados falham nos dois sentidos. O teu nível é calculado: a média QECR das dez cartas que melhor dominas. Joga bem canções mais difíceis e sobe; aparece no teu perfil e é o número honesto, não o lisonjeiro.
Experimenta numa canção real
Escolhe uma canção do catálogo e joga: a primeira não precisa de conta.