A pronúncia do inglês, explicada com canções
8 lições curtas sobre como o inglês soa de verdade: os sons que o ouvido de quem aprende não apanha, e porquê. Cada uma indica as canções onde o ouves.
TH não é um T, nem um S, nem um F
A ponta da língua toca os dentes de cima e o ar continua a sair. Não se corta nada.
Há duas versões: surda, em que só sai ar, e sonora, em que a garganta vibra. Escrevem-se as duas igual.
Importa: trocar TH por S, T ou F transforma a palavra NOUTRA que já existe.
Em baixo estão as palavras com TH desta canção — di-las com a língua à vista, a exagerar de propósito.
Ouve-se em: Bleeding Love (Leona Lewis) · Can't Stop the Feeling! (Justin Timberlake) · No More Lies (Iron Maiden)
O -S final tem três sons
O -s do plural e o de he/she/it escreve-se de uma maneira e pronuncia-se de três, e o som não se escolhe: decide-o a letra anterior.
Depois de um som surdo é um S. Depois de um som sonoro ou de uma vogal é um Z — e é este o que mais se esquece.
Depois de um som sibilante acrescenta uma sílaba inteira.
O -ed do passado segue exatamente a mesma lógica, e por isso compensa aprendê-los juntos.
Ouve-se em: Don't Stand So Close to Me (The Police) · Sultans of Swing (Dire Straits) · Viva la Vida (Coldplay)
O -ED do passado, de três maneiras
Escreve-se de uma maneira e diz-se de três, e enganar-se é a forma mais rápida de soar a estrangeiro.
Depois de um som surdo é um T. Depois de um som sonoro ou de uma vogal é um D.
Só atrás de um T ou de um D acrescenta uma sílaba própria — e é a única vez que o faz.
Portanto a maioria dos verbos em -ed NÃO ganha sílaba, que é justamente o erro mais repetido.
Ouve-se em: Candle in the Wind 1997 (Elton John) · Someone Like You (Adele)
As letras que o inglês deixou de dizer
O inglês guardou letras que deixou de pronunciar há séculos, e a ortografia nunca se atualizou.
Há grupos inteiros mudos em posições fixas: um K ou um W antes de outra consoante no início, um B depois de M, um L antes de certas consoantes, um GH quase em qualquer sítio.
Não há regra que se possa deduzir — aprendem-se palavra a palavra, e por isso a lista em baixo é a DESTA canção.
A suposição segura é a contrária à de quase todas as línguas: se parece estranho, provavelmente há uma letra muda.
Ouve-se em: Blinding Lights (The Weeknd) · Flowers (Miley Cyrus) · Somebody That I Used to Know (Gotye ft. Kimbra)
O schwa: o som mais frequente do inglês
Cada palavra inglesa tem UMA sílaba forte. As outras desabam num som curto, neutro e sem cor: o schwa.
É o som mais comum da língua, e pode escrever-se com qualquer vogal: a ortografia não diz nada.
O português europeu faz algo parecido com as átonas, o que ajuda — mas em inglês apanha todas as vogais.
O truque não é pronunciar MELHOR, é pronunciar PIOR as sílabas fracas. Diz as palavras em baixo com uma só pancada forte e deixa o resto borrar-se.
Ouve-se em: Bohemian Rhapsody (Queen) · Hips Don't Lie (Shakira) · Love the Way You Lie (Eminem ft. Rihanna)
O acento sustenta a palavra
O inglês não marca o acento por escrito, e nada na ortografia diz onde cai. Aprende-se com a palavra.
Errar pode tornar a palavra completamente incompreensível — muito mais do que falhar uma vogal.
Em alguns pares o acento sozinho decide se a palavra é um substantivo ou um verbo, sem mais nenhuma mudança.
E daí sai o ritmo todo: as pancadas fortes caem a intervalos parecidos e o que está no meio comprime-se.
Ouve-se em: I'd Do Anything for Love (But I Won't Do That) (Meat Loaf) · November Rain (Guns N' Roses) · Perfect (Ed Sheeran)
O R que não se diz
No inglês britânico o R só se pronuncia se vier uma vogal a seguir. No fim da palavra, ou antes de consoante, desaparece e apenas alonga a vogal anterior.
O inglês americano mantém-nos todos. Os dois estão certos — mas escolhe um, porque é a mistura que soa estranha.
Na versão britânica o R VOLTA quando a palavra seguinte começa por vogal, e por isso a mesma palavra pode soar diferente em dois versos da mesma canção.
Para um português o instinto é fazê-lo na garganta: é exatamente o que há que evitar.
Ouve-se em: It Wasn't Me (Shaggy) · Keep the Faith (Bon Jovi) · The Pretender (Foo Fighters)
O H que se tem de soprar
Em inglês o H inicial é um verdadeiro sopro de ar, e tirá-lo transforma a palavra noutra.
Os portugueses perdem-no porque o seu H é mudo; a espanhóis, italianos e franceses acontece o mesmo pela mesma razão. É o traço mais audível que se importa dessas línguas.
Um punhado de palavras inglesas mantém mesmo o H mudo, e essas aprendem-se uma a uma.
Põe a mão à frente da boca: nas palavras em baixo devias sentir o ar.
Ouve-se em: Poker Face (Lady Gaga) · Roar (Katy Perry) · Taste (Sabrina Carpenter)
Pratica com as canções
Na app cada lição traz exercícios, frases de exemplo e tabelas de conjugação feitas com as canções que estudas.